Direitos das Pessoas com Autismo:Entenda as Garantias Previstas em Lei
- João Lucas Bernabé
- 8 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que exige atenção contínua, suporte adequado e proteção legal. No Brasil, pessoas com autismo possuem uma série de direitos importantes que visam garantir inclusão, dignidade e acesso a serviços essenciais. Esses direitos são respaldados por legislações específicas, como a Lei 12.764/2012 e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015).
A seguir, apresentamos os principais direitos assegurados às pessoas com TEA e suas famílias.
Reconhecimento legal como pessoa com deficiência.
A Lei 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, reconhece a pessoa com autismo como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Isso significa acesso às mesmas proteções garantidas a qualquer pessoa com deficiência, abrangendo áreas como saúde, educação, assistência social e mobilidade urbana.
Esse reconhecimento é fundamental para assegurar políticas públicas inclusivas e facilitar o acesso a benefícios sociais.
Direito ao BPC/LOAS
O Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) garante o pagamento de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência que comprove baixa renda familiar. Para ter acesso ao benefício, é necessário que:
● A renda familiar seja de até 1/4 do salário mínimo por pessoa.
● Haja avaliação social e médica realizada pelo INSS.
● A condição do TEA seja comprovada por meio de laudos e documentação adequada.
Esse benefício é essencial para famílias que dependem de apoio financeiro para garantir cuidados adequados.
Prioridade no atendimento
Pessoas com TEA têm prioridade em atendimentos nos seguintes locais:
● Órgãos públicos
● Hospitais, clínicas e unidades de saúde
● Instituições de ensino
● Terminais de transporte
● Bancos, repartições e serviços privados diversos
Essa prioridade é prevista tanto na Lei 12.764/2012 quanto no Estatuto da Pessoa com Deficiência. O objetivo é reduzir barreiras e facilitar o acesso a serviços essenciais.
Educação inclusiva
A legislação brasileira assegura o direito de pessoas com TEA estudarem em escolas regulares com adaptações e suporte especializado. Isso inclui:
● Atendimento educacional especializado (AEE)
● Profissionais de apoio, quando necessários
● Recursos pedagógicos adaptados
● Ambiente escolar inclusivo e sem discriminação
A rede de ensino não pode recusar matrícula, cobrar taxas extras ou impor qualquer tipo de barreira para o estudante com TEA. Esse direito é protegido por diversas normas, incluindo a Constituição, a LDB e o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Passe Livre e mobilidade
Em muitos estados e municípios, pessoas com TEA têm direito ao passe livre no transporte público, mediante apresentação de documentos e laudos comprobatórios. O objetivo é facilitar o deslocamento para:
● Consultas e terapias
● Atividades educacionais
● Atendimentos multiprofissionais
● Rotina da família
Os critérios variam conforme a legislação local, mas em geral incluem comprovação do TEA e, em alguns casos, de baixa renda.
Acesso a atendimento pelo SUS
O Sistema Único de Saúde deve oferecer tratamento multidisciplinar gratuito, incluindo:
● Terapia ocupacional
● Fonoaudiologia
● Psicologia
● Neurologia e psiquiatria
● Acompanhamento multiprofissional
O SUS também é responsável por fornecer medicamentos e exames quando necessários, garantindo continuidade no cuidado e suporte integral.
Direito à acessibilidade e inclusão social
Pessoas com TEA têm direito a um ambiente acessível, seguro e inclusivo. Isso inclui:
● Acessibilidade em serviços públicos e privados
● Respeito à comunicação e ao tempo de processamento individual
● Prevenção e combate ao preconceito
● Incentivo a políticas de inclusão no trabalho e na comunidade
O objetivo é assegurar que o autista possa exercer plenamente seus direitos e participar da vida social com igualdade.
Direito ao respeito e à proteção contra discriminação
A legislação brasileira proíbe qualquer forma de discriminação contra pessoas com TEA. Isso inclui:
● Negativa de matrícula
● Atendimento diferenciado ou degradante
● Exclusão em atividades escolares
● Barreiras no acesso a serviços públicos ou privados
● Preconceito e assédio
O descumprimento desses direitos pode gerar responsabilidade civil, administrativa e até criminal.
As pessoas com autismo possuem um conjunto robusto de direitos que garantem dignidade, proteção, inclusão e acesso a serviços essenciais. No entanto, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para fazer valer essas garantias.
Contar com orientação jurídica especializada é fundamental para assegurar que todos os direitos previstos em lei sejam plenamente respeitados.





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